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MERCOSUL encerra Presidência do Paraguai e passa o comando ao Uruguai

  • Foto do escritor: Editor Câmara de Comércio Latino-Americana
    Editor Câmara de Comércio Latino-Americana
  • 9 de jul.
  • 3 min de leitura

A Cúpula de Chefes de Estado do MERCOSUL e Estados Associados, realizada nesta terça-feira em Assunção, marcou o fim da Presidência Pro Tempore do Paraguai e o início da Presidência do Uruguai para o segundo semestre de 2026. Sob condução do presidente paraguaio Santiago Peña, no Centro de Convenções da CONMEBOL, líderes do bloco defenderam o aprofundamento da integração regional e o avanço de iniciativas com benefícios concretos para os cidadãos.

Peña afirmou acreditar no MERCOSUL e na integração regional como caminho para fortalecer o desenvolvimento dos países membros, defendendo que o fortalecimento do bloco deve se traduzir em mais justiça, solidariedade e resultados práticos para a população. Entre os principais marcos de sua gestão à frente da Presidência Pro Tempore está a conclusão do Acordo MERCOSUL-União Europeia, fechado após 25 anos de negociações, além da abertura das negociações de livre comércio com o Japão e da inauguração da Ponte de Integração entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu.

Ao assumir o comando do bloco, o presidente uruguaio Yamandú Orsi destacou que, com vontade política e o compromisso dos povos sul-americanos, o processo de integração regional será cada vez mais bem-sucedido. Para os próximos seis meses, o Uruguai definiu como prioridades avançar na implementação dos acordos com a União Europeia e a EFTA, reforçar a integração fronteiriça, intensificar a coordenação regional contra o crime organizado transnacional e dar continuidade à renovação do FOCEM, o Fundo para a Convergência Estrutural do MERCOSUL.

Os países-membros manifestaram apoio à ordem constitucional na Bolívia e solidariedade ao povo venezuelano diante dos terremotos que atingiram o país em 24 de junho, além de saudar a abertura das negociações comerciais com o Japão. Em declaração especial assinada pelos chefes de Estado do bloco e de Estados Associados, foram lamentadas as graves perdas humanas e materiais causadas pelos sismos na Venezuela.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, abriu sua participação pedindo um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da catástrofe venezuelana e reiterando solidariedade ao povo e ao governo do país. Em seu discurso, defendeu a força do diálogo entre os membros do bloco e criticou o que chamou de alinhamento automático e escolhas excludentes na condução da política externa regional, afirmando que nenhum país do MERCOSUL ganha mais liberdade de ação abrindo mão de sua autonomia.


Lula também anunciou o compromisso do Brasil de ampliar sua contribuição ao FOCEM, com um aporte de US$ 100 milhões anuais ao longo de uma década, no âmbito do que chamou de FOCEM-II. O fundo, criado em 2004 para reduzir as assimetrias entre os países do bloco, já financiou mais de mil quilômetros de rodovias, 680 quilômetros de ferrovias, 750 quilômetros de linhas de transmissão de energia e 100 quilômetros de redes de saneamento básico desde sua criação. O presidente brasileiro defendeu ainda a incorporação da Bolívia ao fundo como um passo adicional para reduzir as assimetrias entre os países do bloco.


Durante a cúpula, Lula fez um balanço dos 35 anos do MERCOSUL, criado em Assunção em 1991, destacando que o comércio interno do bloco saltou de US$ 4,5 bilhões naquele ano para cerca de US$ 50 bilhões em 2025, enquanto o intercâmbio com o restante do mundo ultrapassou os US$ 770 bilhões no último ano.


A Câmara de Comércio, Indústria e Tecnologia Latino-Americana tem acompanhado atentamente os desdobramentos da cúpula, com foco especial no estreitamento das relações entre o bloco e o setor empresarial. Para a entidade, decisões como o reforço do FOCEM e o avanço das negociações com o Japão sinalizam um ambiente mais favorável para empresas brasileiras que buscam ampliar sua atuação na região, reforçando a leitura de que a nova gestão uruguaia tende a manter a pauta de abertura comercial como prioridade.


A cúpula reuniu ainda os presidentes Rodrigo Paz, da Bolívia, José Antonio Kast, do Chile, e Daniel Noboa, do Equador, além de representantes dos Estados Associados. O presidente argentino Javier Milei, que havia confirmado presença, cancelou a viagem na véspera do evento por motivos de agenda interna, sendo representado pelo chanceler Pablo Quirno.



 
 
 

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