MAIORES PARCEIROS COMERCIAIS DO BRASIL NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2026: CHINA SEGUE À FRENTE, MAS PADRÃO DE TROCAS ACENDE ALERTA
- Editor Câmara de Comércio Latino-Americana
- 9 de jul.
- 2 min de leitura

Os dados do primeiro semestre de 2026 confirmam a China como o principal parceiro comercial do Brasil, tanto nas exportações quanto nas importações, mas revelam um padrão de troca que merece atenção: o país vende principalmente commodities e compra produtos de maior valor agregado, um desenho que já se repete há anos e que levanta questões sobre a natureza da relação entre as duas economias.
Segundo o levantamento, o Brasil exportou 58,3 bilhões de dólares para a China no período, tendo como principais produtos soja em grãos, óleos brutos de petróleo, minério de ferro e carne bovina. Do lado das importações, o volume foi de 38,5 bilhões de dólares, com destaque para veículos automóveis, componentes eletrônicos, máquinas e equipamentos de telecomunicação.
O segundo maior parceiro comercial é os Estados Unidos, com 17,4 bilhões de dólares em exportações brasileiras e 19 bilhões de dólares em importações, uma das poucas relações do ranking em que o Brasil compra mais do que vende. Na sequência aparecem Argentina, com 7,4 bilhões de dólares em exportações e 6,4 bilhões em importações, e Países Baixos, com 5,9 bilhões de dólares em vendas brasileiras. A Índia completa a lista de principais destinos das exportações, com 5,2 bilhões de dólares.
Do lado das importações, além de China e Estados Unidos, destacam-se Alemanha, com 7,3 bilhões de dólares, e Coreia do Sul, com 6 bilhões de dólares, países fornecedores de bens industriais e tecnológicos.
No total, o Brasil exportou 184,8 bilhões de dólares e importou 142,4 bilhões de dólares no primeiro semestre de 2026, um saldo positivo que reforça o papel do país como fornecedor global de commodities agrícolas e minerais.
Do ponto de vista da Câmara de Comércio, Indústria e Tecnologia Latino-Americana | camara de comercio, o dado mais relevante não é o volume negociado, e sim a composição dessas trocas. Exportar em grande escala é importante para o equilíbrio das contas externas, mas a concentração em produtos básicos, sobretudo na relação com a China, mantém o Brasil em uma posição de fornecedor de matéria-prima em uma cadeia de valor na qual outros países capturam a etapa de maior margem, a transformação industrial e tecnológica.
Essa é uma discussão que interessa diretamente às empresas latino-americanas que buscam se posicionar em mercados internacionais. A entidade entende que o desafio para os próximos anos não é apenas manter ou ampliar o volume exportado, mas agregar tecnologia, inteligência e marca aos produtos brasileiros, movimento que ainda está concentrado em poucos setores e empresas.
A comparação entre China e Estados Unidos também ilustra dois modelos distintos de inserção internacional. Com a China, o Brasil mantém superávit expressivo baseado em commodities. Com os Estados Unidos, a relação é mais equilibrada, com maior presença de bens industriais nos dois sentidos do comércio. Entender essas diferenças é parte do trabalho de orientação que a Câmara desenvolve junto a empresários interessados em diversificar mercados e reduzir a dependência de um único parceiro comercial.



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